Um dos cartões postais de Curitiba foi manchado de sangue no início da madrugada de ontem. O guardador de carros Alex Pereira da Silva, de aproximadamente 30 anos, foi ferido com vários golpes de faca e morreu escorado ao portão do Palácio Garibaldi, no Largo da Ordem. A polícia suspeita que o crime tenha sido praticado por “skinheads” (“carecas”).

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A noite estava quente e diversas pessoas circulavam pelo Largo. Há menos de 50 metros do local do crime, muitas bebiam em um bar, algumas contaram, para a polícia, que viram a movimentação, mas acharam que era apenas uma briga de moradores de rua.

Quando populares perceberam que o rapaz estava ferido chamaram o Siate, mas já era tarde. “Ele já estava morto havia pelo menos 45 minutos”, explicou o socorrista Rafael.

Testemunhas

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O soldado Marcos, do 12.º Batalhão da Polícia Militar, recebeu a informação que o crime foi cometido por três mulheres e um rapaz que passaram pelo local e esfaquearam a vítima.

“O motivo da agressão não foi informado, apenas que foi uma das moças que deu as facadas. Segundo testemunhas são integrantes de um grupo de skinheads”, contou Marcos.

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Alex, que também era conhecido como “6D”, cuidava de carros na região e morava na rua. Um amigo dele disse que o rapaz era usuário de drogas e esse pode ser o motivo do crime.

“Também sou usuário e sei como é viver correndo, ora atrás da droga, ora fugindo do traficante”, contou o rapaz. Com os olhos machucados, ele contou que na noite anterior, um carro de luxo parou nas imediações da praça e um rapaz negociou drogas com um traficante, que foi embora com o dinheiro e não voltou com o entorpecente. “O rapaz me confundiu com o traficante e jogou um copo na minha cara.”

“Carecas” violentos

Marcelo Vellinho e Márcio Barros

O delegado Hamilton da Paz, da Delegacia de Homicídios, comentou que o crime provavelmente foi praticado por skinheads. “Conforme testemunhas e as investigações, os autores estavam vestidos de preto, com roupas parecidas e características desse tipo de grupo”, afirmou.

O delegado lembrou ainda que, o último caso envolvendo skinheads foi em março do ano passado, quando um estudante gay da Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi brutalmente agredido, no Alto da XV. De acordo com a polícia, cerca de dez indivíduos, com cabelos raspados, usando suspensórios e coturnos, espancaram a vítima. O estudante teve que passar por cirurgia facial.

Morte

Há nove anos, um crime cometido pelos “carecas” chocou Curitiba. Em 10 de março de 1996, Carlos Adilson Siqueira, 23, foi assassinado por um grupo, quando passeava com um amigo no Largo da Ordem.

A vítima, que trabalhava como iluminador da peça Casa do Terror, saiu com o amigo de uma festa de aniversário no centro, quando cruzou com os skinheads. Mesmo sem dar importância às provocações, Carlos foi assassinado com tiros nas costas e na nuca.