Confrontos com a PM deixam seis mortos

O último fim de semana do ano foi marcado por um banho de sangue por confrontos entre suspeitos e policiais militares, em Curitiba e na região metropolitana. Seis indivíduos morreram trocando tiros com a polícia. Cinco deles faziam festa em uma suposta ?boca-de-fumo?, no final da tarde de sábado, no bairro São Judas Tadeu, em São José dos Pinhais. A suspeita era de que a casa era ponto de tráfico de drogas e que o bando se preparava para arrebatar presos da delegacia local. De acordo com a polícia, o grupo – armado com quatro pistolas e um revólver -, reagiu à prisão e iniciou o tiroteio. Alessandro Gomes Rocha, 19 anos; Onevide José Antoni Júnior, 18; Lenon Aron Silva, 17; Felipe Emanuel Anselmo, 16, e Emerton Kagich Prestes, 15, foram baleados e morreram a caminho do Hospital Cajuru. Na residência, duas garotas foram apreendidas, juntamente com drogas, um colete à prova de balas e um radiotransmissor.

Reação fatal

A abordagem iniciou por volta das 19h, depois que policiais da Rádio Patrulha Auto (RPA), de São José dos Pinhais, receberam denúncia de tráfico na casa, às margens da BR-277. ?Os indivíduos viram a viatura e fugiram em direção a um matagal próximo. Na casa, as meninas confirmaram que eles estava armados?, relatou o tenente Maia, da RPA. Foi solicitado apoio de equipes da Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam) e da Rondas Ostensivas de Natureza Especial (Rone), que logo chegaram ao local. ?Fizemos um cerco na região, não tinham como fugir?, comentou Maia. Mesmo assim, os adolescentes reagiram a tiros e acabaram baleados. Gravemente feridos, os cinco foram encaminhados ao Hospital Cajuru, porém, já chegaram sem vida ao pronto-socorro.

Com os baleados, a polícia apreendeu as pistolas e o revólver. ?Também encontramos pedras de crack, colete balístico e radiotransmissor. As informações são de que eles iriam invadir a delegacia para retirar presos. Estavam bem articulados?, informou o tenente Sasso, da Rotam do 17.º Batalhão.

Revolta nos velórios

Márcio Barros

No sepultamento das vítimas dos conforntos com a Polícia Militar o clima era de consternação e de revolta com a ação dos policiais. Familiares e amigos dos mortos não se conformavam com a versão apresentada pela polícia.

Os velórios de Lenon e Everton aconteceram em uma capela comunitária, em Borda do Campo. ?Eles eram amigos, cresceram juntos e agora foram assassinados juntos?, disse Rosane, mãe de Everton. Segundo ela, o garoto era caseiro e a versão apresentada pela polícia para justificar a morte dele é infundada. ?Ele estava se divertindo com os amigos em um churrasco?, disse a mulher.

Para Nívea da Silva, irmã de Lenon, ele foi executado, sem chance de se defender. ?Meu irmão trabalhava de segunda a sábado com meu pai. Ele era entregador de gás. Isso foi uma chacina?, comentou a irmã, revoltada. ?Meu irmão tinha sonhos e foi roubado por ladrões fardados?, lamentou.

Os familiares das vítimas disseram que vão se organizar e lutar por Justiça.

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