A transmissão vertical do HIV ? em que o vírus é transmitido da mãe infectada para o bebê ? é o tema de um dos projetos de pesquisa selecionados pelo Ministério da Saúde e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e receberá parte dos R$ 5,8 milhões destinados a estudos sobre aids e outras doenças sexualmente transmissíveis.
A pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Marisa Morgado, coordenadora da pesquisa, explica que serão analisadas cerca de 200 gestantes infectadas que receberam o tratamento anti-retroviral e os bebês que, por acaso, nascerem infectados. Ela diz que quando o bebê apresenta resultado positivo é feito um teste molecular do vírus. "A gente submete o vírus a um processo para saber a seqüência de nucleotídios que esse vírus contém. Com isso, é possível ver se a seqüência já apresenta algumas mutações associadas à resistência aos anti-retrovirais que a mãe tomou", disse.
Marisa destacou que, atualmente, são poucas as chances de transmissão vertical quando a gestante recebe tratamento anti-retroviral. "Eventualmente, ainda se pode ter bebês que nasçam positivo. É um evento raro. Hoje em dia se consegue chegar a menos de 5% de transmissão vertical se a mulher é bem tratada ao longo de toda a gestação e não amamenta".
Segundo a pesquisadora, o estudo poderá mostrar que o tratamento da gestante não leva à resistência ao anti-retroviral e à transmissão vertical. "A nossa expectativa é que a taxa de transmissão seja muito baixa, mostrando que o tratamento, embora seja complexo, de fato previne a transmissão e não acarreta a ocorrência de mutações de resistência", destacou. Ela ressaltou que a pesquisa é de interesse nacional e internacional e pode levar à formação de conhecimento novo na área.
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