PMDB pode ir dividido para as eleições de outubro

O PMDB do Paraná não está fechado em torno da proposta de apoio do seu partido ao candidato tucano à presidência da República, Geraldo Alckmin. Há dois grupos trabalhando em direções diferentes. Uma ala está desenvolvendo negociações oficiais com o PSDB e outro grupo trabalha na construção de um comitê suprapartidário em favor da candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Já o governador Roberto Requião, que normalmente dá a palavra final sobre as posições do partido, acompanha em silêncio o cabo-de-guerra partidário. A avaliação de interlocutores próximos do governador é que ele não vai inibir nenhuma das duas correntes e vai aguardar o panorama nacional se definir, antes de dizer qual é o seu lado.

Há ainda quem acredite que Requião irá conviver com as duas alas, durante a campanha, de forma a atrair para o seu palanque da reeleição a simpatia de petistas e tucanos, sem se comprometer com nenhum palanque presidencial.

Ontem, peemedebistas do interior saudaram a vinda de Alckmin a Cascavel. Hoje, é a vez de peemedebistas se juntarem a setores do PT, PC do B e também do PTB no lançamento da carta de princípios da frente em apoio a Lula e Requião. Ontem, o governador e o presidente estadual do PT, André Vargas, estiveram juntos na inauguração da estação de tratamento da Sanepar, em Londrina. Apesar das desavenças contínuas, o governador cedeu espaço no palanque ao petista que disse ter certeza de que Requião não iria manchar sua biografia subindo no palanque de Fernando Henrique Cardoso e Antonio Carlos Magalhães e ressaltou a importância de parcerias entre os governos estadual e federal.

O presidente municipal do PMDB, Doático Santos, disse que as duas alas podem conviver tranqüilamente no partido. Mas no PMDB em Curitiba, garante, a preferência é de Lula. "Nossa posição é amplamente majoritária no sentido de indicar uma aliança formal ou informal com o presidente Lula", afirmou.

Para Doático, o grupo pró-Lula está sendo coerente com as posições históricas do governador e do PMDB paranaense. "Nosso referencial sempre contrastou com as posições neoliberais do PSDB", disse o dirigente peemedebista.

Nas previsões de Doático, é muito mais natural o governador se decidir pelo palanque de Lula do que compor com os tucanos em torno da candidatura de Alckmin. Ele disse que as divergências de Requião com Lula são pontuais, envolvendo a política econômica e o relacionamento administrativo entre os governos. Já com o PSDB, as diferenças são mais de fundo e ideológicas, comparou. Já o secretário geral do PMDB pondera que o que está em jogo é o futuro do PMDB do Paraná. Romanelli acha que um acordo este ano com os tucanos pode comprometer o projeto de poder do partido para além de 2010.

No manifesto que lançam hoje, os peemedebistas pretendem destacar os resultados da integração entre o governo Lula e Requião para o Estado, que consideram propulsora de desenvolvimento, e os efeitos que consideram danosos para o Estado dos oito anos de governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Hoje, os integrantes vão apresentar o imóvel que será reformado para abrigar o comitê, dirigido por Doático, Joel Benin (PC do B), Jairo Graminho PT) e Walter Sâmara (PTB). 

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