Os pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo tiveram hoje a primeira oportunidade do ano para demonstrar o que pensam sobre a cidade e criticar a gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que não enviou nenhum representante para defender seu governo. Embasados na pesquisa Ibope encomendada pela Rede Nossa São Paulo – em que 56% dos 1.512 entrevistados disseram que gostariam de mudar de cidade, 30% consideraram que a administração é ruim/péssima e a nota média dada à honestidade dos governantes foi 2,9 -, os pré-candidatos e representantes dos partidos concluíram que as necessidades da população, principalmente dos mais pobres, não vêm sendo atendidas nos últimos anos.

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“É evidente que São Paulo está sendo reprovada por seus habitantes”, comentou o presidente do diretório municipal do PSOL, Maurício Costa. Para o dirigente do partido, que ainda não definiu seu candidato, a capital paulista tem uma estrutura “que preserva um modelo desigual e complicado para a maioria da população”. “Essa gestão está desacreditada porque tem um projeto contrário aos interesses da maioria”, criticou.

Até o pré-candidato do PCdoB, vereador Netinho de Paula, não poupou a gestão Kassab, da qual seu partido faz parte. “Quem dirigiu a cidade não olhou para o povo pobre. A cidade foi completamente esquecida, abandonada”, afirmou. Questionado sobre sua “mudança de hábito”, Netinho alegou que a participação do PCdoB na atual administração se restringe à organização da Copa de 2014 e que o partido tem autonomia para criticar o governo municipal. Luiz Carlos Bosio, membro da executiva municipal do PV, que também faz parte do governo Kassab, concordou com Netinho.”Pouco avançamos na condição de vida do cidadão”, resumiu o dirigente do PV, sigla que também não definiu seu candidato à disputa municipal.

Já o pré-candidato do PMDB, o deputado federal Gabriel Chalita, disse que se sentia envergonhado com o resultado da pesquisa. “Meu sentimento é de vergonha de ver a situação que está a cidade de São Paulo. É vergonhoso ver que a população não confia nos políticos”, afirmou. “Há alguma coisa errada na administração desta cidade. Nós estamos abandonando as pessoas que mais precisam”, avaliou.

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O levantamento feito entre os dias 25 de novembro e 12 de dezembro de 2011 apontou também que a qualidade de vida na cidade recebeu uma nota geral de 4,9 ante 5,0 em 2010. Já a sensação de insegurança dos paulistanos cresceu de 2010 para 2011: subiu de 24% para 35% o porcentual de pessoas que afirmaram não se sentir “nada segura” na cidade. Só 1% dos entrevistados disseram se sentir totalmente seguros em São Paulo.

Estagnada

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A pré-candidata do PPS, Soninha Francine, questionou os números da percepção dos paulistanos e sua relação com os fatos reais. “O poder público tem que analisar onde (os números) são condizentes e onde não são”, ponderou. Soninha argumentou que muitas vezes a população desconhece que um serviço existe quando na realidade ele está disponível e, por isso, acaba avaliando mal a gestão. A pré-candidata defendeu uma atenção maior da prefeitura “às coisas mínimas” da cidade, como o barulho, o abandono de entulho em locais impróprios e os conflitos de vizinhança. “Isso aparece muito nas subprefeituras e é um conflito sério”, comentou.

Sobre a atuação das subprefeituras, 31% dos paulistanos avaliaram as ações regionais como “ruim/péssima”, ante 23% da pesquisa anterior. “A cidade não pode ser administrada centralmente como tem sido feito”, analisou o presidente do diretório municipal do PT, vereador Antonio Donato, que participou do evento representando o pré-candidato Fernando Haddad. Para o dirigente petista, a cidade é “muito dura com os mais pobres”. Num dos poucos momentos de críticas ao trabalho de Kassab, Donato disse que São Paulo não vem acompanhando o ritmo de crescimento do Brasil nos últimos anos. “Não estamos avançando num momento em que o Brasil está avançando. Isso é preocupante.”

O PSDB, que ainda discute quem será seu candidato para a sucessão municipal, não enviou nenhum representante para comentar o resultado da pesquisa. O PDT do deputado federal e pré-candidato Paulo Pereira da Silva, o PTB do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) e também pré-candidato Luiz Flávio Borges D’Urso, e o PRB do pré-candidato Celso Russomanno não participaram do encontro.