Após 22 dias de exaustivas buscas, o Corpo de Bombeiros Voluntários do município de Penha, Santa Catarina, encerrou ontem a procura pelo padre Adelir Antônio de Carli, desaparecido desde o dia 20 do mês passado, depois de alçar vôo partindo de Paranaguá, içado por balões de gás hélio. De acordo com o comandante Johnny Eurico Coelho, que coordenou a operação, é a primeira vez que os bombeiros voluntários da cidade concluem uma missão sem encontrar a pessoa ou o corpo desaparecido.
As buscas pelo padre mobilizaram grande contingente das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), além do Corpo de Bombeiros. Para o comandante Coelho, foi a maior operação de busca já realizada em Santa Catarina, território onde o padre deve ter caído. ?A procura pelo padre chegou a envolver até 400 pessoas?, contabiliza o comandante. Nas últimas semanas, pelo menos 90 bombeiros voluntários continuavam diretamente envolvidos no trabalho.
Sem chances
O encerramento das buscas, ao meio-dia de ontem, se deu pelo esgotamento das possibilidades exploradas pelos bombeiros na tentativa de encontrar Adelir de Carli. ?É a primeira vez que encerramos a busca sem encontrar o corpo e por ver que simplesmente não há mais o que fazer?, diz o voluntário. Segundo Coelho, a média de tempo para encontrar alguém desaparecido com vida é três dias, enquanto para achar um corpo, até nove dias. ?Tudo o que podia ser feito, foi feito em dobro, e com vontade muito grande?, garante.
Ontem, o comandante esteve em Paranaguá para comunicar oficialmente à família e à igreja o encerramento das buscas. Segundo ele, nada impede que os bombeiros voltem a procurar pelo padre, desde que haja pistas concretas que indiquem onde o religioso pode ser encontrado.
Mau tempo desvia rota
O comandante Johnny Coelho conta que cerca de dez milhões de metros quadrados de matas e 250 quilômetros de litoral foram vasculhados, desde São Francisco do Sul, norte de Santa Catarina, até Porto Belo. As buscas aéreas, com avião alugado pela família do padre depois que a Aeronáutica encerrou a procura, chegaram a até 150 quilômetros de distância da costa.
Ao decolar do litoral paranaense, o objetivo do padre da paróquia parnanguara de São Cristóvão era voar por 20 horas com os balões de festa e, assim, bater recorde mundial. O mau tempo, porém, desviou o religioso da rota, levando-o para o mar. O último contato que fez foi pelo celular, por volta das 21h do dia 20 do mês passado, pedindo ajuda. Desde então, somente parte dos balões que usava foi encontrada no mar.
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