Foi adiada para a próxima segunda-feira a reunião que discutiria a crise no Colégio Estadual do Paraná (CEP), em Curitiba. A decisão foi tomada ontem pela Secretaria de Estado da Educação (Seed), após a realização de mais protestos dos alunos pela manhã na instituição. Um grupo deles, reforçado por professores e funcionários, quer o afastamento da atual diretora, Maria Madselva Feiges, e eleições diretas para o cargo.
Segundo a superintendente de Educação da Seed, Yvelise Arcoverde, a suspensão ocorreu porque a atitude dos estudantes foi considerada ?inadmissível?. ?Como parte das negociações, foi feito um acordo para que as aulas voltassem ao normal. Mas hoje (ontem) houve tumulto e até a explosão de bombas no colégio. Isso constrangeu funcionários, professores e até outros alunos, pondo em risco a sua segurança?, afirmou.
Como resultado da suspensão, explicou Arcoverde, foi realizada uma reunião fechada com a participação de representantes da secretaria, da Promotoria de Proteção à Educação, do Conselho Estadual de Educação (CEE) e da Procuradoria Geral do Estado (PGE). ?Esse encontro vai debater medidas, inclusive judiciais, a serem implementadas para garantir a segurança da comunidade escolar.?
De acordo com Joel Ramalho, aluno do 3.º ano da manhã e representante dos estudantes na reunião, o protesto ocorrido ontem não foi diferente dos demais. ?Quando vai chegando o final do ano, sempre há a explosão de rojões no colégio. Hoje, simplesmente subimos e chamamos o pessoal para protestar. A situação lá chegou num ponto que ninguém mais agüenta o pessoal do Núcleo (Regional de Educação) coagindo quem não concorda com a diretoria?, explicou.
Para a mãe Noemi Alves Nogueira, o cancelamento da reunião foi um desrespeito. ?Eles querem fazer parecer que a situação está normal por lá, que é apenas coisa de poucos alunos. Eu só estou nessa porque vi 90% dos professores se manifestarem contra essa diretora e eu acredito na credibilidade deles. Não ia dar minha cara a tapa se fosse só uma briguinha de adolescentes?, desabafou. ?O colégio parece um presídio. Todas as salas estão sendo trancadas para garantir que os alunos fiquem lá dentro. E se acontece alguma coisa??, questionou outra mãe, Meire Rosa de Brito.
Para a professora Camila Paskual, o clima entre os docentes é de desolação. ?Não há liberdade nem para conversar com os alunos nos corredores. Muitos estão amedrontados. Parece um velório?, concluiu.
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