A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) tentará retomar amanhã, em Quito, no Equador, o seu batismo de fogo. Chanceleres e ministros da Defesa dos 12 países do bloco enfrentarão o impasse provocado pelo acordo militar entre Estados Unidos e Colômbia. Deixado em aberto desde setembro, o imbróglio ressurge agora de maneira mais dramática, em razão das ameaças de conflito armado feitas pela Venezuela contra a Colômbia e pela denúncia de espionagem chilena feita pelo governo do Peru.
Na tarefa de costurar uma solução para essas crises, o Equador, país que preside temporariamente a Unasul, colocará em debate as propostas do Peru de um acordo de paz e de não-agressão, de criação de uma força sul-americana de paz e de um compromisso de redução da compra de armamentos pelos países da região nos próximos cinco anos.
As sugestões têm apoio dos governos do Brasil e da Argentina e estarão no centro dos debates de amanhã. No fim de semana, o presidente equatoriano, Rafael Correa, enviou uma carta a seus colegas enfatizando sua preocupação com as tensões entre Venezuela e Colômbia e entre Peru e Chile.
Conforme reconhecem autoridades brasileiras, a falta de um acordo na Unasul em matéria de Defesa extrapolou a crise bilateral entre Caracas e Bogotá e ameaça a própria continuidade desse processo de integração física, energética e econômica na América do Sul.
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