O preço do arroz na principal cidade de Mianmar, Rangum, subiu 50% desde a passagem do ciclone Nargis, que inundou grandes áreas de produção desse alimento. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (12) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), sediada em Roma. O ciclone matou dezenas de milhares de pessoas, deixou outras tantas dezenas de milhares desabrigadas e tornou rodovias e pontes intransitáveis no país, após sua passagem no dia 3 de maio.
O fenômeno atingiu Mianmar na safra da época mais seca do ano, correspondente a 20% da produção anual, segundo a FAO. A destruição poderia reduzir o acesso ao arroz e forçar Mianmar a importar esse alimento de países vizinhos, como Tailândia e Vietnã. Isso pressionaria ainda mais os preços mundiais, segundo o órgão da ONU. Mianmar era, até então, auto-suficiente e mesmo um exportador de arroz. A devastação também pode impactar negativamente a produção global de arroz, segundo a FAO. A agência atualmente prevê um novo recorde de 666 milhões de toneladas na produção mundial do grão, um aumento global de 2 3%.
A produção na Ásia deve subir de 600 milhões de toneladas para 605 milhões. Haverá um aumento particularmente grande em Bangladesh, China, Filipinas, Tailândia e Vietnã, informou a FAO. A produção africana deve subir 4%, para 23,2 milhões de toneladas. A da América Latina deve crescer 7,4%, chegando a 26 milhões de toneladas. Na Austrália, nos Estados Unidos e na Europa, a produção deve diminuir. Os preços do arroz subiram 76% entre dezembro e abril. O fenômeno ocorreu em parte por causa das restrições à exportação em alguns países, preocupados com uma eventual escassez. A FAO prevê que os preços permanecerão altos.
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