O Ministério do Interior tunisiano desautorizou nesta quinta-feira as manifestações convocadas para esta sexta-feira, com o objetivo de denunciar os atentados contra alvos sagrados e os recentes atos de violência protagonizados por salafistas, disse em comunicado.
A nota do Ministério justificou a decisão de proibir todas as manifestações, pois disporia de informações, não detalhadas, de que alguns grupos queriam criar tumultos nas ruas no país. “Certos setores (…) incitarão à violência aproveitando as manifestações pacíficas”.
O presidente do partido islamita moderado, Rachid Gannuchi, tinha convocado para esta sexta-feira, uma passeata pacífica para proteger os valores religiosos e protestar contra a violência desencadeada no início da semana. Além disso, o líder radical islâmico Abu Ayub Atunsi apelou para começar nesta sexta-feira um “levante popular”.
Da mesma forma, outros líderes salafistas convocaram seus seguidores de todas as regiões do país para defender a aplicação da “sharia” (lei islâmica). A manifestação é um sinal de protesto por uma exposição de arte que se encerrou no domingo passado e que, segundo eles, “atentava contra os princípios sagrados da religião”.
A exposição foi a faísca de uma onda de violência, protagonizada jovens salafistas, que levou às autoridades a impor o toque de recolher em 8 regiões do país durante a noite da terça e quarta-feira, depois de ataques à delegacias, tribunais, centros culturais e bares, em diferentes pontos da capital e do país.
