Israel vai libertar “um número limitado” de prisioneiros palestinos, disse neste sábado o ministro de Assuntos Internacionais, Estratégia e Inteligência do país, Yuval Steinitz, após os Estados Unidos anunciarem que serão retomadas as conversas de paz diretas entre os dois lados.

continua após a publicidade

“Haverá uma libertação limitada de prisioneiros”, afirmou Steinitz a uma rádio pública. Alguns dos que serão libertados estão em prisões israelenses já faz 30 anos, acrescentou ele. De acordo com o grupo israelense de defesa dos direitos B’Tselem, pelo menos 4.713 palestinos estão detidos em prisões de Israel.

Segundo fontes, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, teria aceitado voltar à mesa de negociação com Israel somente após o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, lhe enviar uma carta garantindo que as bases para a negociação vão ser as fronteiras israelenses antes de 1967. Além disso, o governo israelense teria se comprometido a não emitir novas permissões para assentamentos em territórios ocupados na Cisjordânia. Em troca, os palestinos prometeram não buscar uma ação diplomática contra Israel em nenhuma organização internacional.

O Departamento de Estado dos EUA não confirmou a existência da suposta carta enviada por Kerry. Ele anunciou nesta sexta-feira um acordo sobre as bases para o retorno das negociações entre israelenses e palestinos, que foram interrompidas cinco anos atrás. Os dois lados devem se encontrar na próxima semana.

continua após a publicidade

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse neste sábado que as negociações com os palestinos são “vitais” para o país. “A retomada do processo de paz é um interesse estratégico vital para o Estado de Israel. É importante tentar encerrar o conflito entre nós e os palestinos, especialmente em função dos desafios que enfrentamos, com Irã e Síria”, afirmou ele.

Mas Netanyahu enfrenta uma forte oposição mesmo entre seus aliados. O ministro da Economia, Naftali Bennett, disse que vai tirar seu Partido Casa Judia da coalizão de governo se o primeiro-ministro concordar com a questão das fronteiras anteriores a 1967. Já o vice-ministro de Defesa, Danny Danon, condenou a libertação dos prisioneiros palestinos. “Esses assassinos não podem ser libertados como um ‘ato de boa vontade’ ou um prêmio pelo retorno das negociações”, afirmou.

continua após a publicidade

As negociações também não são unanimidade no lado palestino. No território da Faixa de Gaza, controlado pelo Hamas, o porta-voz Sami Abu Zuhri disse que o grupo rejeita o anúncio de Kerry. “Nós não reconhecemos a legitimidade de Abbas para negociar em nosso nome”, afirmou. As informações são da Associated Press.