O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, garantiu nesta sexta-feira (17), em reunião com integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) em Curitiba, recursos para infra-estrutura e compra de todas as áreas da região que forem apresentadas até o fim do ano para fins de reforma agrária. Com essa garantia, os cerca de 600 integrantes do MST que estavam acampados desde segunda-feira em frente à sede do órgão, no centro da cidade, decidiram voltar ao interior do Estado.
"Temos recursos suficientes para a aquisição desses imóveis", acentuou Hackbart. Os sem-terra apresentaram uma lista com 77 áreas onde estão acampadas oito mil famílias, mas a superintendência regional disse que apenas dez devem estar com a documentação pronta até o fim do ano.
Além da promessa de adquirir todas as áreas que forem apresentadas pela superintendência regional, o presidente garantiu o atendimento de toda capacidade que o Estado tiver na aplicação de recursos para habitação nos assentamentos até o limite de R$ 15 milhões, valor pedido pelos sem-terra. Ressaltou ainda que há dinheiro orçamentário disponível para projetos de agroindústria. Para a próxima semana, prometeu depositar R$ 258 mil para estruturação de equipes pedagógicas.
Em parceria com a Secretaria da Agricultura Familiar, ele também garantiu R$ 274 mil, igualmente na próxima semana, que serão utilizados para capacitação de técnicos em agroecologia. O Incra nacional também vai se reunir com o Tribunal de Contas da União para tentar resolver os problemas encontrados na prestação de contas, que levaram ao bloqueio dos recursos de assistência técnica para duas cooperativas que reúnem 13 mil famílias de assentados do Estado.
O coordenador regional do MST, Roberto Baggio, afirmou que houve um avanço nesta conversa com o presidente da instituição. "A reforma agrária estava praticamente paralisada e agora começa a andar, pois vai descentralizar os recursos, vai avançar nas vistorias e assegurou mais desapropriações", acentuou. Mas ainda está longe do que o MST deseja. "A decisão do movimento é utilizar esse resto de ano e os próximos quatro anos do governo Lula para intensificar a pressão, a mobilização para que a reforma agrária de fato se concretize no Brasil", disse. "O que precisamos é que a reforma agrária ganhe um ritmo mais veloz.