Governo pretende neutralizar desgaste do ministro

O agravamento das suspeitas contra o ministro Márcio Thomaz Bastos colocou em alerta o Palácio do Planalto, onde se avalia que é preciso reagir para evitar que o titular da Justiça se torne a "bola da vez" e não resista aos "ataques da oposição". A iniciativa de antecipar a ida Bastos ao Congresso tem justamente o objetivo de neutralizar o desgaste e demonstrar transparência.

Os problemas provocados pela corrosão do prestígio de Bastos têm feito o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atrasar a definição de quem ocupará em caráter efetivo quatro ministérios hoje comandados por interinos: Saúde, Desenvolvimento Agrário, Controladoria-Geral da União e Pesca. A cada dia, o presidente conta com menos colaboradores com os quais tem estreita ligação para definir estratégias políticas.

A saída de Ciro Gomes do Ministério do Desenvolvimento Regional foi sentida pelo presidente, já que ele emitia opiniões consideradas absolutamente francas. Jaques Wagner também apresentava visões consideradas bastante realistas para ele em relação à situação do governo no Planalto. E agora, perdendo estas proteções, o presidente teme ficar cada vez mais vulnerável aos ataques.

Apesar dos bons resultados das pesquisas eleitorais, comemorado pelo presidente, há uma preocupação com o acirramento dos ânimos eleitorais, que Lula entende estar traduzido nas denúncias contra o ministro Márcio Thomaz Bastos.

Por causa das denúncias no final de semana, os telefones não pararam de tocar no Palácio da Alvorada, com muitas conversas durante o sábado à tarde e o domingo. As discussões não se limitaram ao presidente. Os auxiliares palacianos e líderes governistas também conversaram muito no fim de semana, tentando avaliar a situação do ministro da Justiça.

Mesmo com o ministro Tarso Genro saindo em defesa do ministro da Justiça, há quem ache no governo que a situação de Márcio Thomaz Bastos ficou um pouco mais complicada. Embora a maioria ache que o ministro Márcio se sairá bem, há os que temem os riscos eleitorais de isso atingir o presidente.

Mas todos estão confiantes na contra-ofensiva dele, a partir desta segunda-feira primeiro com o anúncio do pedido de antecipação de sua presença no Congresso e, segundo, pelo fato de ter dito que dará uma coletiva à imprensa se o Congresso não chamá-lo logo. É que o presidente Lula não está disposto a entregar mais uma de suas cabeças considerada brilhante, ainda mais depois de ver os resultados da pesquisa. Por isso, a avaliação no Planalto é que tem de haver uma defesa do ministro da Justiça.

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