Os números da execução orçamentária reunidos pelo jornal O Estado de S. Paulo mostram que os governadores pisaram o pé no acelerador dos gastos em 2006 para tentar se reeleger. O total de investimentos pagos pelos cofres estaduais pulou de R$ 11,6 bilhões no primeiro ano de mandato da gestão passada, em 2003, para R$ 22,1 bilhões em 2006. Em 2002, ano da outra eleição, os investimentos haviam chegado a R$ 14 bilhões. Ou seja, em quatro anos, esses gastos se ampliaram em 57%, quando a inflação foi pouco superior a 35%.
Um dos Estados que mais expandiram seus investimentos foi o Espírito Santo, do peemedebista Paulo Hartung, que obteve a reeleição com um investimento de R$ 727 milhões em obras e equipamentos em 2006 – 319% a mais do que em 2002. Outro caso bem-sucedido de reeleição à base de obras foi o do tucano Aécio Neves, em Minas Gerais, que ampliou os investimentos do Estado de R$ 775 milhões em 2002 para R$ 2,7 bilhões no ano passado – expansão de 212%.
Em seguida no ranking, aparecem outros dois governadores reeleitos: o petista Wellington Dias, do Piauí, que ampliou os gastos em infra-estrutura de R$ 92 milhões para R$ 290 milhões (212%) entre 2002 e 2006, e o mato-grossense Blairo Maggi, recém-filiado ao PR, que alavancou os investimentos estaduais do patamar de R$ 250 milhões para R$ 548 milhões (119%).
Em São Paulo, embora não tenha havido uma reeleição, o candidato da situação, José Serra (PSDB), também foi ajudado pelas obras do governo passado. Entre 2002 e 2006, os investimentos paulistas pularam de R$ 1,8 bilhão para R$ 3,5 bilhões. A família Viana, do PT do Acre, também conseguiu emplacar o sucessor, Binho Marques, com uma expansão de 144% nos gastos de infra-estrutura – de R$ 222 milhões para R$ 543 milhões.
Um dos poucos casos de insucesso na eleição do ano passado, apesar dos investimentos, foi o do ex-governador Lúcio Alcântara (PSDB). Em 2006, ele chegou a investir a soma de R$ 1,65 bilhão – 27,5% de sua receita disponível, maior porcentual entre todos os Estados. Mas a falta de apoio entre seus próprios correligionários, como o senador Tasso Jereissati, acabou sepultando os planos de reeleição.
Entre todos os Estados, o Rio Grande do Sul é o que apresenta o menor nível de investimento dos últimos quatro anos: cerca de 4% da receita apenas. Resultado: o peemedebista Germano Rigotto não conseguiu se reeleger. Outros dois casos de derrota influenciados pela redução nos investimentos foram os de Alagoas e Pernambuco. Só o tucano Cássio Cunha Lima, da Paraíba, conseguiu se reeleger apesar de registrar um investimento inferior à gestão anterior.