Programa de concessões visa estimular mercado de capitais, segundo Joaquim Levy

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou, nesta terça-feira, que parte da estratégia para as concessões passa pelo desenvolvimento de mecanismos de mercado e capital. Segundo ele, o mercado brasileiro está preparado para as debêntures e tem apetite. “Temos experiência. Nos últimos quatro anos, as debêntures de infraestrutura começaram a funcionar. Na parte de transporte, nenhuma sofreu estresse de mercado”, relatou. Levy participou da cerimônia de lançamento do Programa de Investimento em Logística (PIL), no Palácio do Planalto

O ministro ponderou que, historicamente, o crédito mais acessível e de longo prazo é o do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas que a estratégia é trazer novas fontes de financiamento para os projetos. “Esses são projetos, são concessões que já têm mercado estabelecido, se conhece bem pela demanda e se podem captar (recursos) rapidamente”, afirmou.

Para os portos, Levy afirmou que eles têm condições semelhantes às das estradas. “Se tivermos empréstimos sem acesso ao mercado de capitais, o BNDES estará presente”, disse. Segundo o ministro, o banco público estará presente numa composição em que a TJLP será menos significativa no total do financiamento.

Estabilidade

Levy afirmou que, sem estabilidade macroeconômica, seria impossível o governo lançar a nova etapa do programa de investimentos em logística. “Conseguimos algo muito importante, mudar o jogo, olhando para a frente com confiança e credibilidade da política econômica. Por isso, estamos trazendo os investidores, operadores para a gente rapidamente melhorar a nossa produtividade. São R$ 200 bilhões em investimentos na área de logística que vamos construir. Isso é muito importante”, completou.

Levy destacou ainda que o governo aguarda uma votação importante nesta semana, no Congresso, que é do projeto de lei que altera pontos da desoneração da folha de pagamentos. “É uma peça fundamental na nossa estratégia de retomada de crescimento do Brasil”, falou, destacando que o Congresso analisa com muita seriedade e entendendo a importância de estabilizar o financiamento da Previdência Social. “É importante ter o financiamento da previdência bem arrumado”, disse. Ele completou que o Congresso precisa acompanhar esse desafio, ouvindo as empresas, mas com a disposição de trabalhar nesse esforço pela estabilidade fiscal.

Expectativas

Em termos de desenvolvimento do País, segundo o ministro, não há nada mais importante do que coordenar o trabalho do governo e as expectativas. Apresentar esse plano, disse, é a primeira fase e outros investimentos serão incluídos nesse programa. “Sem dúvida eles ajudam a ter as expectativas de choque positivo na nossa produtividade e capacidade de competitividade. Temos uma carteira extremamente forte”, avaliou.

Levy garantiu que há demanda no País para esses projetos e falou sobre as formas como eles serão financiados. O discurso do ministro teve um tom otimista. “Uma característica muito importante é que elas vêm de uma manifestação clara de interesse e demanda do setor privado. A maior parte deles é de obras que a gente vai ampliar e melhorar e que rapidamente trazem retorno”, afirmou, acrescentando que o governo está conversando com o setor privado e olhando 20 anos à frente.

O ministro ainda classificou a carteira de investimentos lançada na manhã desta terça-feira, 9, como “extremamente forte”. Ele ponderou que assim que as ampliações ocorrerem, o tráfego aumentará. “Nós precisamos disso para melhorar a integração nacional e o desenvolvimento”, disse, destacando que no Brasil há demanda por melhores estradas, transporte aéreo e melhor integração nacional, o que, segundo ele, “permite ao setor privado se financiar e desenvolver estratégia de participar desse grande projeto”. “O setor privado tem nos confirmado que tem uma grande demanda”, acrescentou.

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