O Banco Central (BC) deu mais peso às incertezas do cenário externo na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada hoje. No trecho que trata do ambiente internacional, as avaliações ficaram mais pessimistas. Segundo o BC, a percepção do mercado sobre a situação fiscal na zona do euro e, em particular, suas implicações sobre o sistema financeiro regional – mesmo após a divulgação dos testes de estresse realizados em bancos da região – apresentaram “deterioração relevante”.
Para o BC, as perspectivas macroeconômicas para a zona do euro continuam apresentando fortes assimetrias: enquanto algumas economias permanecem impactadas por riscos de insolvência e sujeitas a fortes ajustes fiscais, o ritmo da expansão continua sustentado em outras regiões, como na Alemanha.
Na avaliação do Copom, permanecem ainda incertezas em relação a questões da dívida norte-americana. “No que se refere à política monetária, as economias maduras continuaram com posturas acomodatícias. Sobre inflação, apesar da aceleração recente, os núcleos persistem em níveis moderados no grupo de países do G-3 (EUA, zona do euro e Japão)”, diz a ata.
O documento destaca ainda que nos países emergentes observam-se pressões inflacionárias disseminadas e, desde a última reunião do Copom, houve continuidade dos apertos das condições monetárias em diversas economias. Em particular, destaca o Copom, o Banco Central chinês (PBOC) elevou novamente as taxas de referência para depósitos e empréstimos.
Para o BC brasileiro, a recuperação da economia global segue em velocidade distinta e com pressões inflacionárias assimétricas. “As evidências apontam moderação da atividade na margem, em parte refletindo o aumento da incerteza global, a perda de dinamismo da recuperação norte-americana, o elevado preço do petróleo, bem como os efeitos do aperto monetário em importantes economias emergentes”, afirma o Copom.