Brasília
– O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem, que o discurso do governo na reunião da próxima semana, na Europa, com bancos estrangeiros, investidores internacionais e dirigentes de bancos centrais de países europeus será o de que “não há nada de errado na economia brasileira”.Malan considera importantes as reuniões e aposta que seu efeito prático será o mesmo obtido na reunião realizada há 15 dias, em Nova York, na sede do Federal Reserve. “Na reunião de Nova York, houve a garantia de que o Brasil tem apoio de governos”, lembrou o ministro esclarecendo, no entanto, que de nenhuma forma espera o restabelecimento “em 24 horas ou 48 horas” das linhas de crédito ao Brasil.
“Defendemos a preservação das linhas. A resposta não virá em 24 ou 48 horas, mas está vindo e virá gradativamente, na medida em que se dissipem as dúvidas sobre a nossa capacidade de lidar com esta situação e o que fará ou poderá fazer uma futura administração”, comentou o ministro, chamando atenção para as declarações dos candidatos em apoio aos termos do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O objetivo da série de encontros na Europa, na próxima semana, segundo Malan, é demonstrar confiança na economia brasileira. “O que estamos mostrando nestas conversas é que, apesar do contexto internacional, o Brasil conseguiu os US$ 30 bilhões do Fundo Monetário e mais US$ 7 bilhões do Bird e do BID. Não há nada de errado com a economia brasileira”, insistiu.
O ministro citou as principais contas nacionais que evidenciam, na sua opinião, que é possível restabelecer o clima de confiança na economia brasileira. Segundo ele, o balanço de pagamentos está tendo um ajuste extraordinário: o déficit em contas correntes vai cair de US$ 33,6 bilhões para menos de US$ 17 bilhões. O saldo comercial também se recupera e já atinge US$ 7,4 bilhões nos 12 meses encerrados em agosto.
“Está havendo uma mudança estrutural da economia”, disse. Ele citou o aumento da participação das exportações na formação do Produto Interno Bruto (PIB) e garantiu que a dívida externa do setor público “não é problema”, porque não é de curto prazo e, em termos líquidos, representa 10% do PIB.
