A comparação do cenário econômico atual com as projeções feitas pelo mercado há um ano mostra que o crescimento da economia surpreendeu positivamente os analistas, que tiveram de elevar a aposta de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em mais de 1 50 ponto porcentual durante o ano de 2007. Por outro lado, a surpresa negativa veio com a inflação, que subiu em ritmo maior que o esperado e fez com que as expectativas do mercado tivessem de subir mais de três pontos nos IGPs.

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Há um ano, no relatório Focus de 29 de dezembro de 2006, analistas acreditavam que a economia cresceria 3,50% em 2007. O número permaneceu nesse patamar até abril, quando dados positivos do comportamento da economia deflagraram ajustes para cima nas projeções durante várias semanas até setembro, quando o número estacionou em 4,70%. Novos dados acima do esperado incitaram ajustes nas últimas quatro semanas de 2007, o que levou o número do PIB para os 5,19% observados no último Focus deste ano, divulgado nesta segunda-feira. Em 12 meses, a projeção para o PIB aumentou 1,69 ponto porcentual.

Parte dessa surpresa com o ritmo da economia pode ser atribuída à mudanças na política monetária, com a queda dos juros. Há um ano, o mercado acreditava que o juro seria cortado em 1,5 ponto porcentual durante 2007, passando de 13,25% – taxa observada no final de 2006 – para 11,75%. Mas o Banco Central reduziu a Selic em ritmo mais forte, e a taxa termina o ano 0,50 ponto mais baixa que o projetado há 12 meses, em 11,25%.

Outro motivo que pode explicar o ritmo mais forte da economia é o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED), usado para construção e ampliação de fábricas e compra de empresas por multinacionais. Há 12 meses, o mercado acreditava que o Brasil receberia US$ 16,10 bilhões. O número seguiu em lento ritmo de alta até julho, quando a projeção estava em US$ 20 bilhões. Desde então, o número cresceu rapidamente até atingir a projeção de US$ 35 bilhões no último relatório de 2007. O número é 117 39% maior que o projetado há 12 meses.

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Com tantos dólares na forma de IED e o ingresso de outros bilhões para compra de ações e títulos no mercado nacional, o dólar caiu de forma expressiva no decorrer do ano. Conforme o relatório Focus, a projeção dos analistas cai de forma consistente desde a primeira semana de 2007. Em 29 de dezembro de 2006, analistas acreditavam que o câmbio terminaria esse ano em R$ 2,25. O número caiu seguidamente até chegar a R$ 1,77 no relatório divulgado nesta segunda-feira. O valor é 21,3% menor que a previsão de um ano antes.

Inflação em alta

A despeito das boas notícias, o mercado teve de ajustar o cenário após a alta mais forte dos preços. A surpresa negativa ocorreu principalmente pelo comportamento dos alimentos, que subiram em ritmo mais elevado e por mais tempo que o esperado.

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No IPCA, os ajustes para cima ocorreram principalmente entre junho e setembro e, mais recentemente, desde meados de novembro. Com isso, a projeção de alta para o indicador usado no regime de metas passou de 4%, registrados em 29 de dezembro de 2006, para 4,36%, no relatório divulgado nessa segunda-feira. Esses ajustes anularam a trajetória positiva do IPCA, cujas projeções para 2007 caíram em boa parte dos primeiros seis meses do ano até chegar ao piso de 3,50% em meados do ano.

A trajetória de alta foi ainda pior nos IGPs. Há 12 meses, o mercado acreditava que o IPG-M fecharia o ano em 4,29% e o IGP-DI, em 4,30%. Os números, contudo, mudaram completamente durante o ano, principalmente desde setembro. Com as altas seguidas, a projeção do mercado para o IGP-DI fechou o ano em 7 82%, patamar 3,52 pontos maior que o número projetado há um ano. No caso do IGP-M, a inflação acumulada fechou o ano em 7,75%, conforme dados da Fundação Getúlio Vargas divulgados na semana passada.