Movimento de poupança após queda da Selic não preocupa

O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, disse nesta segunda-feira que o órgão não se preocupa com nenhum movimento maior nas cadernetas de poupança em função da redução da Selic e da perda de rentabilidade dos fundos de investimento. “Nada afeta demanda por títulos públicos”, afirmou.

Ele lembrou que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem dado declarações de que não haverá problema algum com a poupança. O Tesouro Direto, disse, continua interessante para investidores de médio e longo prazos. “O Tesouro Direto tem perspectiva de crescimento não é de hoje. Esperamos uma continuidade expressiva do Tesouro Direto”, concluiu.

Garrido admitiu que os investidores do Tesouro Direto estão trocando Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), papéis atrelados à Selic, por papéis prefixados e atrelados ao índice de preços. Ele disse não ter conhecimento da possibilidade de o governo permitir que parte dos recursos captados pela poupança seja aplicada pelos bancos em títulos públicos.

O coordenador avaliou ainda que com a queda da taxa básica de juros a tendência é de continuidade da rentabilidade menor dos papéis atrelados à taxa Selic. “A rentabilidade é significativamente menor do que papéis vinculados a índices de preços e prefixados. Com a Selic menor, a tendência que se observa é a continuidade dessa menor rentabilidade”, disse ele. Garrido destacou que essa tendência vale para as LFTs e outras aplicações com correção diária, como os CDIs.

Garrido apresentou números que corroboram essa avaliação. No ano até hoje, segundo ele, a rentabilidade do CDI de 1º de janeiro até agora foi de 2,97%, enquanto o ganho para aplicações corrigidas pela inflação ficou em 9,07% e de prefixados, em 4,95%. No prazo de dois anos, a rentabilidade do CDI é de 23,05%; enquanto a de aplicações corrigidas por índices de inflação é de 40,47% e de prefixados, de 30,28%.

Para ele, também há uma tendência de queda no mercado secundário dos volumes de papéis corrigidos pela taxa Selic. “Está crescendo liquidez com prefixados e NTN-B (papéis corrigidos pelo IPCA). Existem menos LFT no mercado, como consequência a liquidez tende a ser menor”, disse.

Garrido disse que os fundos de investimento têm reduzido a participação das LFTs em suas carteiras. Em março, informou, os fundos de investimento tinham 49,3% da sua carteira de títulos públicos em LFTs, o menor patamar desde 2007. “Também os fundos vêm cada vez mais com menos LFT nas suas carteiras”, completou.

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