O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Tulio Maciel, avaliou que o déficit da conta de transações correntes do Brasil com o exterior em 2011, quando registrou o maior saldo negativo da história, refletiu a continuidade do crescimento da economia brasileira, que demandou mais bens de consumo e de serviços vindos de outros países.

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Ao comentar o resultado, Maciel destacou que em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o déficit em termos históricos (de 2,12%) foi “normal”. Segundo ele, as contas externas mostraram “mês a mês” déficits significativos, mas ponderou que o resultado negativo das contas externas foi “plenamente” financiado pelo ingresso de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), que mostraram fluxos “expressivos e contínuos”.

Para o chefe do Depec, o fluxo recorde de IED em 2011 revelou a confiança do investidor estrangeiro nos fundamentos da economia e a expansão do mercado domésticos. “Mostrou confiança na sustentabilidade desses movimentos. São estímulos para o que o investidor estrangeiro aporte no Brasil”, disse. “O financiamento do déficit foi feito com sobra da melhor maneira que ser poderia ser feito”, acrescentou. Ele destacou que esses investimentos contribuíram para o crescimento da economia brasileira.

Oscilação do dólar – O sobe e desce do dólar observado desde agosto do ano passado começa a afugentar os turistas brasileiros das viagens internacionais. Dados apresentados hoje mostram moderação do ritmo de crescimento das despesas no exterior a partir do segundo semestre de 2011.

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“Aquelas taxas de crescimento expressivo do déficit de viagens internacionais observada até agosto apresentou moderação. Para 2012, temos uma perspectiva de comportamento mais moderado”, diz o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel. “O gasto nesse item é bastante sensível à taxa de câmbio, como vimos a partir de agosto. A incerteza econômica também contribui para que brasileiro seja um pouco mais cauteloso”, explicou.

O ano de 2011 terminou com crescimento de 38% no rombo gerado pelas viagens internacionais – isso porque o gasto de brasileiros no exterior é maior que a receita obtida com estrangeiros em turismo no Brasil. Mas o comportamento no segundo semestre, diz Maciel, é completamente diferente. “Em dezembro de 2011, por exemplo, o déficit é ligeiramente menor que o observado um ano antes”, diz. No último mês do ano passado, o déficit de viagens somou US$ 1,114 bilhão, menor que o US$ 1,119 bilhão em dezembro de 2010.

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Maciel também chamou atenção para o fato de que os investimentos no segmento de extração mineral já alavancam o gasto do Brasil com o aluguel de equipamentos contratados no exterior. Em 2011, a despesa de US$ 16,669 bilhões é um novo recorde.