Na iminência de ter suas operações suspensas, a BS Colway realizou ontem, na Assembléia Legislativa (AL) do Paraná, um ato para obter apoio político contra uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que proibiu a importação de pneus usados.
De acordo com o presidente da empresa, que está instalada em Piraquara, e da Associação Brasileira de Indústria de Pneus Remoldados (Abip), Francisco Simeão, a proibição é política e foi baseada apenas em preconceito contra o setor. ?A cada quatro pneus que importamos, temos que retirar cinco que não servem mais do meio ambiente. Nossas práticas são elogiadas em todo o mundo. Não concordamos que nossa empresa seja fechada para atender aos desejos inconfessáveis das multinacionais?, disse. Com a proibição, decidida pela ministra Ellen Gracie a pedido da União, a BS Colway tem estoque suficiente para produzir somente até o fim de janeiro. Após esta data, sem matéria-prima, terá que fechar as portas e demitir 700 funcionários – 500 empregados já foram dispensados em junho.
Segundo Simeão, a existência da BS Colway é um ?abacaxi enorme? para os concorrentes. ?Vendemos um pneu 40% mais barato, com garantia de cinco anos e que dura 80 mil quilômetros. As carcaças que trazemos da Europa são de boa qualidade?, ressaltou.
Um dos organizadores do ato na AL, o deputado Ney Leprevost (PP), afirmou que a defesa da empresa conseguiu unir até a oposição ao Executivo. ?Veja só, até o Requião está a favor da BS Colway?, afirmou. O governador protocolou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra as decisões que proíbem a importação de pneus para remoldagem. Segundo o deputado, a atuação da empresa é ambientalmente correta e há preocupação com os empregos em jogo. ?São mais de 1.200 empregos localizados em uma região de baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)?, explicou.
Para ele, a atuação social da empresa também deve ser destacada. ?Vários programas, como o Bom Aluno, Vila da Cidadania e Grupo de Escoteiros vão acabar caso a empresa feche.? Leprevost afirmou, ainda, que o papel da AL não será feito através de medidas legais, mas sim de pressão para a realização de audiências públicas sobre a questão.
Presente ao ato, o prefeito de Piraquara, Gabriel Jorge Samaha, aposta que o prejuízo para o município é muito maior do que apenas os R$ 4 milhões projetados com perda de receitas tributárias. ?Multiplique por quatro o número de empregos diretos e vai ter o resultado da perda de postos de trabalho que teremos. A BS Colway cumpriu uma série de exigência ambientais para estar em Piraquara e não é nociva ao meio ambiente?, afirmou.
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