Para conseguirem garantir o sucesso das ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês), os bancos de investimento estão atraindo fundos para atuarem como “âncora” da operação, segundo apurou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Nesses casos, os fundos fecham acordo anterior à oferta para comprar uma participação.

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Segundo fontes, existe demanda para esse movimento, já que muitos desses fundos têm recursos vindos do exterior e, com baixa exposição no Brasil devido à recessão e às incertezas que ainda rondam o País, precisam recompor portfólios.

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Um IPO que está sendo estruturado neste exato momento, segundo uma fonte de um banco de investimento, virá com esse desenho. Planejada para este ano, deve vir com 30% das ações a serem ofertadas com a subscrição garantida por fundos de investimento.

Antes, uma figura mais tradicional para fazer essa ancoragem eram os fundos de private equity, que compram participações em companhias.

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Algumas ofertas conhecidas por terem sido bem executadas trouxeram a figura do âncora já no prospecto da oferta inicial. Esse foi o caso da Ourofino, único IPO de 2014, aliás. O fundo General Atlantic ingressou com parte dos recursos, ajudando a tornar a oferta menos sensível ao cenário, que já era desafiador à época. Antes dessa experiência, a General Atlantic fez o mesmo com a Smiles, quando também entrou como investidor âncora.

No último IPO feito na bolsa brasileira, da Par Corretora, o fundo Gávea também se comprometeu a ancorar a oferta, desde que algumas condições fossem cumpridas, como uma determinada faixa de preço da ação no âmbito da oferta. Com a demanda dos investidores, o preço das ações foi estabelecido acima desse valor, o que fez com que o fundo do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga desistisse de ancorar a operação.

Agora, a figura do âncora começou a migrar para os fundos de investimento, em especial aqueles que têm mandato global de América Latina e que estão com baixa exposição ao Brasil no momento. Pesa ainda a favor do País o fato de haver poucas ofertas em outros países da região, em especial no México, cuja economia tem decepcionado.