O ministro da Justiça, Tarso Genro, decidiu não afastar o delegado Zaqueu Teixeira do cargo de assessor especial do Ministério. Zaqueu foi citado nas investigações da Polícia Federal que resultaram na Operação Hurricane (furacão, em inglês).
Por meio de sua assessoria, Tarso Genro argumentou que Zaqueu é "apenas citado e não está sendo investigado" e, por isso, "não há motivos para tomar qualquer medida" contra o delegado.
Zaqueu Teixeira foi chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro no governo de Benedita da Silva (PT), em 2002.
Antes de se pronunciar favoravelmente à permanência de seu assessor especial no Ministério da Justiça, Tarso Genro foi informado pelo diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, de que o delegado Zaqueu não é investigado nem foi indiciado na Operação Hurricane.
Em uma ligação interceptada pela Polícia Federal, um homem identificado como Lula diz ao policial civil Marco Antônio dos Santos Bretas, preso sob acusação de ser o operador da máfia dos caça-níqueis, que o "doutor Zaqueu está descapitalizado para a campanha e que teria pedido "ajuda aos amigos".
Na conversa que teve com Paulo Lacerda, o delegado Zaqueu garantiu que não conhece nem Bretas nem Lula. Informou, ainda, que, em nenhum momento, teria procurado recursos ilegais para financiar sua campanha à Câmara. Em 2006, Zaqueu concorreu uma vaga de deputado federal pelo PT, mas não conseguiu se eleger.
Pelas gravações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal, a conversa entre Marco Bretas e Lula aconteceu no dia 12 de setembro do ano passado, na reta final da campanha eleitoral.
De acordo com o diálogo reproduzido no inquérito da PF sobre a Operação Hurricane, o delegado Zaqueu teria procurado o grupo interessado em pôr placas de sua campanha em terrenos do empresário Pasquale Mauro, dono de diversas propriedades na Barra da Tijuca (bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro), ou em áreas conseguidas por Marcos Bretas.
Marcos Bretas é apontado pela Polícia Federal como representante do contraventor Ailton Jorge Guimarães, conhecido como capitão Guimarães, e de seu sobrinho Julio Cesar Guimarães.
Desde o dia 14 de abril, Bretas, capitão Guimarães e Julio Cesar estão presos em Brasília com outras 22 pessoas acusadas de envolvimento com a máfia do caça-níqueis.
No diálogo interceptado pela PF, Lula conta que disse ao delegado Zaqueu que seria difícil convencer o empresário Pascale Mauro. Bretas diz que as placas podem ser colocadas na casa de uma mulher identificada apenas como Denise.
