Chávez no campanário

Coisa alguma que regurgite da promiscuidade do governo Lula e sua base parlamentar, por mais absurda que seja, contribuirá para aumentar o espanto dos cidadãos devidamente escaldados pela sucessão interminável de golpes e contragolpes, na maioria movidos por interesses escusos – perpetrados por ambas as partes – sem a menor discrição ou receio de ofender a sociedade.

O comentário se justifica diante da aberração protagonizada por um grupo de integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da Câmara dos Deputados, quando da votação dos aspectos constitucionais da proposta de ingresso da Venezuela no Mercosul.

A matéria foi aprovada por 44 votos a favor garantidos pela base e 17 contrários dados pelos deputados do DEM, PSDB e PPS. Nada haveria a estranhar na constatação de um ato normal e rotineiro na economia interna da dita comissão, tampouco se a questão fosse analisada do ponto de vista da conduta político-institucional do presidente do referido país, Hugo Chávez, alfinetado por muitos como um ditador em processo de gestação. Mesmo isso seria aceitável.

O nojo da sociedade, no entanto, não teve origem num mero escore e nem na probabilidade de a Venezuela vir a pertencer ao Mercosul, tendo em vista as normas do direito internacional. A população, pela enésima vez, foi agredida de maneira insolente pelo achincalhe lançado contra o parlamento pelos representantes do PMDB na CCJ, que exigiram do governo, em troca dos votos, a imediata nomeação de seus apadrinhados em cargos de direção na administração superior, especialmente na Petrobras.

Para que todos tenham ciência de que o recado foi entendido pelo escalão competente, à guisa de resposta, o Planalto mandou dizer que nomeará somente depois da aprovação da CPMF, aliás, negociata na qual o governo jogou sobre a mesa a cobiçada carta de absolvição de Renan.

O rei do gado será salvo pelo PT, mas em contrapartida o governo terá de contar como certos os votos dos descontentes da base para garantir a cobrança do imposto do cheque até 2011. Em sã consciência, somente os cínicos afirmariam que a entrada da Venezuela no Mercosul foi assegurada pelos polpudos dividendos da política de campanário.

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