Com um grande número de parlamentares acusados de envolvimento na máfia dos sanguessugas, o Congresso que vai tomar posse em fevereiro de 2007 poderá começar os trabalhos com as mesmas dificuldades verificadas após o escândalo do mensalão. Parlamentares prevêem novamente a paralisia nas votações, a desarticulação dos líderes e a falta de liderança sobre as bancadas partidárias, com os grupos tentando se livrar da cassação. E o resultado disso poderá ser mais uma vez a não-aprovação de novas reformas e projetos importantes e o congelamento da agenda do presidente eleito.
A CPI dos Sanguessugas já identificou 90 parlamentares – 87 deputados e 3 senadores – supostamente envolvidos no esquema. Mesmo que parte não responda a processo de cassação e apenas a metade dos acusados seja reeleita, a próxima legislatura – o período de quatro anos de mandato dos deputados – já nascerá comprometida. Sem ambiente para discussão de propostas, as votações seguirão o ritmo lento do último ano.
"Será complicado e difícil. Isso vai tornar o Congresso uma corte de julgamento de parlamentares, e o Legislativo vai deixar de exercitar sua melhor função e perder o melhor de seu tempo para analisar esses processos", afirmou o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP).
Integrante da CPI dos Sanguessugas, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) prevê mais um período de paralisia dos trabalhos no próximo ano. "Ou moralizamos a Casa ou será mais uma legislatura que enfrentará os mesmos problemas do último ano", afirmou Delgado. Ele propõe que o projeto que acaba com o voto secreto nos processos de cassação seja votado logo.
O líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS), defende a votação da emenda constitucional que acaba com os processos de cassação no Congresso, deixando a função para o Supremo Tribunal Federal (STF). "Neste momento, reforça-se a necessidade de reformulação da estrutura de julgamento de parlamentares. O Ministério Público investiga e o Supremo julga.
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