“Pode entrar, mas vem aqui me ensinar o caminho.” Foi desta forma que o motorista de ônibus Clodoaldo José da Silva, de 40 anos, abordou a reportagem dentro de uma das linhas da madrugada da Prefeitura. A frota de 151 itinerários entrou em operação na noite de sexta-feira para ontem. O motorista teve a ajuda tanto da reportagem quanto dos primeiros passageiros da linha Terminal Parque Dom Pedro-Terminal Pinheiros, que passa pela Rua Augusta e atende uma das principais reivindicações dos usuários de ônibus que querem aproveitar a balada: não ter de “dormir” na rua para esperar os ônibus começarem a rodar às 4 horas.

continua após a publicidade

A partir de agora, a cidade conta diariamente com linhas da 0h às 4h, com intervalos de 15 e 30 minutos. Apesar do problema pontual no ônibus dirigido por Silva, o público aprovou o serviço e foi surpreendido pela pontualidade das linhas. “Eu acho ótimo. Ninguém merece ter de ficar na rua até de manhã esperando ônibus e metrô. Se a balada estiver ruim, posso sair e ir direto para a minha casa”, afirmou a estudante Tamires Ruiz, de 19 anos. Ela e a professora Viviane Santana, de 28 anos, saíram da Penha, na zona leste, na noite de sexta-feira, chegaram ao Terminal Parque Dom Pedro e seguiram para a Rua Augusta.

Na Vila Madalena, zona oeste, o garçom Eduardo Rodrigues, de 30 anos, conseguiu pegar um ônibus com destino ao Sacomã, sem ter de esperar mais de uma hora pelas poucas linhas que ainda circulam durante a madrugada. “Eu moro na região da Avenida Paulista, que é relativamente perto. Teve dias que eu demorei três horas para chegar em casa. Nós, que trabalhamos na noite, já desejávamos isso há muito tempo”, contou.

Público

continua após a publicidade

Os passageiros ouvidos estão dentro do perfil esperado pela Prefeitura. “Principalmente pessoas que procuram atividades de lazer e trabalhadores. Temos um público de trabalhadores muito grande que sai de madrugada e precisa ficar esperando uma hora para pegar o coletivo”, explicou o secretário adjunto de Transportes, José Evaldo Gonçalo. Segundo Ana Odila de Paiva Souza, diretora de Planejamento da São Paulo Transporte (SPTrans), a expectativa é de que 20 mil pessoas usem o transporte.