Entidades de defesa dos direitos humanos criticaram hoje, em nota, a ideia de “vitória” sobre o crime propagada pelo governo do Rio de Janeiro, denunciaram abusos e uma suposta “caça ao tesouro” durante a ocupação policial do Complexo do Alemão e do Complexo da Penha, na zona norte da cidade.

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Ativistas de organizações não governamentais produziram um relatório com depoimentos de moradores com casos de tortura, ameaça de morte, invasão de domicílio, injúria, corrupção, roubo, extorsão e execução cometidos por policiais, que foi entregue à Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara e encaminhado à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA).

Segundo a denúncia, equipes de policiais estão se revezando em um “garimpo” nos dois conjuntos de favelas em busca do dinheiro, das joias, das drogas e das armas que criminosos teriam deixado para trás na fuga. Na nota, as ONGs afirmam que o comandante da Polícia Militar do Rio, coronel Mário Sérgio Duarte, deu a ordem para “vasculhar casa por casa” e “não apenas suprimiu arbitrariamente o artigo V da Constituição, como deu carta-branca à livre atuação de policiais bandoleiros”.

“Em comunidades pobres, o discurso da guerra abre espaço para a relativização e a supressão dos direitos do cidadão, situação impensável em áreas mais nobres da cidade”, diz o documento. Moradores das favelas denunciam que parte do armamento desviado pelos policiais foi para o arsenal das milícias.

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Os ativistas apontam que até hoje não foi divulgado quantas pessoas morreram nas operações policiais desde o dia 22, a identidade das vítimas e de que forma aconteceram os óbitos. A execução de um morador dependente de crack foi relatada pelos moradores. No relatório, as vítimas pediram para não ter o nome divulgado para evitar represálias.

O documento é assinado pela Justiça Global, Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, Conselho Regional de Psicologia, Grupo Tortura Nunca Mais, Instituto de Defensores de Direitos Humanos e Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis. As ONGs também criticaram a falta de controle do Estado sobre a atuação dos agentes. Hoje, o Comando Militar do Leste (CML) informou que o general-de-brigada Fernando Sardenberg assumirá o comando da Força de Pacificação até o fim do ano, mas ainda não há previsão de data.

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