Para Stanislaw Ponte-Preta, três ingredientes faziam seu cotidiano: o gingado das mulheres cariocas, a boemia e o futebol. Sérgio Porto (1923 – 1968), dono desse pseudônimo, começou a carreira nos anos 40. Nela, satirizou os políticos, criou o Festival de Besteiras que Assola o País – uma crítica à repressão militar – e, em 13 livros publicados, consagrou-se como “o recriador da vida carioca, dono e senhor de sua língua viva, dos sentimentos, dos dramas, das alegrias, desespero e tristezas da gente carioca”, como já definiu Jorge Amado (1912 -2001). E é debruçado sobre esse olhar apaixonado pelo Rio dos anos 60 que o diretor Daniel Filho, depois de dez anos afastado da TV, retorna ao vídeo com a série “As Cariocas”, obra homônima do livro de Sérgio Porto, que estreia hoje, após o “Casseta & Planeta”, na Globo.
Em homenagem à publicação do amigo – Sérgio e Daniel trabalharam juntos em programas de TV, como “Noite de Gala” (1966) -, o diretor recriou 140 ambientes cariocas, gravou em cartões-postais – como a orla da Urca e o Palácio do Catete -, e escalou um time de estrelas para protagonizar cada um dos dez episódios. Nesse belo time, há atrizes jovens e outras mais experientes: Alinne Moraes, Paola Oliveira, Alessandra Negrini, Adriana Esteves, Cíntia Rosa, Grazi Massafera, Fernanda Torres, Sônia Braga, Angélica e Deborah Secco. “Muitas eu nem conhecia pessoalmente. Mas todas estariam na lista ‘top ten’ de qualquer brasileiro”, diz Daniel Filho.
A Noiva do Catete, que narra a história da jovem Nadia – que cuida de um noivo paraplégico – é o episódio que abre a série. No posto principal, Alinne Moraes, que há um ano sensibilizou o País com a personagem paraplégica de “Viver a Vida”. No papel do marido, o ator Ângelo Antônio, o Carlinhos. Apesar de carregar o drama de que o noivo ficou numa cadeira de rodas após tentar salvá-la de um assalto, Nadia está vivíssima. Enlouquece o jovem surfista Nelsinho (Pedro Nercessian), faz a cabeça do homem maduro Fagundes (Nelson Baskerville) e diverte-se no papel de mulher sexy. “Os hormônios mexem muito com a Nadia. Mas, acima de tudo, ela é feliz”, conta Alinne.
A marca de mulher fatal, de fato, está impressa em todas as moças. Umas mais desinibidas, outras menos. Alessandra Negrini é Marta, a Iludida de Copacabana. Paola Oliveira, vive Clarissa, a Atormentada da Tijuca ou, como prefere a atriz, “uma mulher recatada”. Fernanda Torres, a Cris, é A Invejosa de Ipanema. Já Grazi vive Michelle, A Desinibida do Grajaú. O músico Marcelo D2 tem participação especial nesse episódio. Na trama, D2 é Wescley, pagodeiro e apaixonado por Michelle.
Nos 54 dias de gravação, Daniel aproveitou para reencontrar amigos, como Antônio Fagundes e Sônia Braga, – no episódio A Adúltera da Urca, ela é Júlia e Fagundes é Cacá. Mesmos nomes dos personagens da novela “Dancing Days” (1979), dirigida por Daniel. Outra que ele reencontrou foi Angélica. “Gosto dela como atriz. Como produzi o Zoando na TV (1999), temos um namoro desde então”, diz ele, de volta à TV, cercado de mulheres belíssimas e amigos.
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