Para o povo chinês, os Jogos Olímpicos de Pequim serão "um orgulho nacional", disse Han Dongfang, fundador do primeiro sindicato independente da China, não reconhecido por Pequim, que há mais de 20 anos, desde o exílio, representa a voz da oposição.
"Qualquer um pode dizer que o Partido Comunista manipula as pessoas, mas esta é a realidade. Por isso o povo chinês considera errado, e não amigável, a oposição do resto do mundo às Olimpíadas", acrescenta.
Uma oposição que nem mesmo ele julga positiva, "não serve para fazer pressão sobre o governo". Seu não é um "não" ao boicote, mas esta não pode ser a única arma. Pelo contrário, "muito melhor se houver mais vozes, diferentes entre elas", explica Dongfang, em Florença em um debate na Confederação Italiana dos Sindicatos dos Trabalhadores (CISL) sobre contratos de trabalho.
Um pouco como ocorreu em Paris, comentou, por sua vez, o exilado Cai Chounguo, membro da Federação Autônoma dos Trabalhadores de Pequim.
"Sarkozy demonstrou ser amigo do governo chinês e por isso não foram entendidas as tantas manifestações contra a tocha olímpica". Assim como não foi entendido por que "o prefeito de Paris deu cidadania honorária ao Dalai Lama. Na China, pensavam que o prefeito fosse nomeado por Sarkozy, e isso fez refletir sobre o confronto social e sobre o pluralismo francês", concluiu.
Entre os motivos que levam Cai Choungguo e Han Dongfang, os dois sindicalistas independentes que há anos vivem no exílio, o primeiro em Paris o segundo em Hong Kong, a não terem um comportamento hostil em relação aos próximos Jogos Olímpicos, há a consciência de que eles durarão apenas poucas semanas.
"Iremos nos sentir perdidos. Nós devemos apontar para melhorar a China e construir uma sociedade civil", explica Han Dongfang.
Para fazer isso, a "contratação" sindical pode ser um sistema para fazer "valer novos direitos para os trabalhadores, assegurando a eles uma participação e uma representação", acrescenta.
Em janeiro passado o Governo chinês aceitou, pela primeira vez, discutir os contratos com os trabalhadores, "no entanto ainda estamos longe de poder falar de contratação", prossegue Dongfang.
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