Após a troca de farpas dos últimos dias, os presidentes das federações de futebol de São Paulo, Marco Polo Del Nero, e do Rio, Rubens Lopes, estiveram lado a lado nesta sexta-feira na sede da CBF. No lugar de acusações, sorrisos. Nos próximos dias, não será surpresa se o cartola carioca retirar a indicação de Mario Jorge Lobo Zagallo à vice-presidência da Região Sudeste da CBF.
Del Nero indicou a si mesmo, e mostrou nesta sexta que não pretende voltar atrás. Já Lopes aparentou estar menos seguro. Os dois assistiram à entrevista coletiva convocada pelo presidente da CBF, José Maria Marin. O próprio mandatário deixou claro: ao contrário do que exigiu Lopes, na quarta-feira, não vai interferir no processo de escolha do novo vice-presidente.
“Eu não voto, não indico, trata-se de uma eleição”, disse o presidente da CBF. “Acredito que Rio e São Paulo vão apresentar uma solução dentro da maior harmonia possível. É uma disputa normal e não tenho a menor dúvida de que chegaremos a um bom entendimento para o bem do futebol brasileiro”, afirmou Marin.
Questionado se havia chegado a um acordo com o companheiro carioca sobre a vice-presidência, Del Nero sorriu: “Somos amigos”. Se pretende abrir mão da própria indicação? “Não, este é um assunto irrelevante no momento”. E Lopes? “Não precisamos ter pressa, temos tempo para discutir e isso ainda não está na pauta”, respondeu o presidente da federação do Rio.
Lado a lado, trocando comentários à cada resposta de Marin – como dois bons amigos -, Lopes e Del Nero nada pareciam os desafetos que se fizeram mostrar nos últimos dias, pelo menos para a imprensa.
Na quarta, Lopes chegou a afirmar que o paulista não tinha palavra, se disse “surpreso e indignado” com a postura de Del Nero e levantou polêmica sobre possível irregularidade ao afirmar que não tinha certeza se a indicação da FPF ocorrera dentro do prazo. E, claro, defendeu que a vaga é do Rio. Del Nero, por sua vez, argumentou ser o dono da vaga. Classificou como “baixas” e “sujas” as afirmações de Lopes. Negou que houvesse um “acordo de cavalheiros” que dava direito ao Rio de fazer a atual indicação.
ÁRBITROS – Marin convocou a coletiva para anunciar os nomes que vão ocupar os recém-criados cargos de corregedor (Edson Rezende de Oliveira) e ouvidor de arbitragem da CBF (Aristeu Leonardo). Ele informou que a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, negou convite para chefiar a delegação da seleção feminina nos Jogos de Londres. “Não vai faltar oportunidade para que ela volte a chefiar uma delegação feminina ou até mesmo masculina na CBF”, disse.