Os males do câncer

Você tem todos os tipos de vizinhos. Alguns são amigáveis, outros silenciosos. A maior parte deles se encaixa na categoria de socialmente responsável, ou seja, respeita sua propriedade, resolve as questões comuns na base da conversas e procura se dar bem com todos da rua. A maioria das células do nosso corpo também é assim. Se dão bem com as outras ao redor, vivem a própria vida e trabalham sem interferir no bem-estar das células vizinhas. Assim, as células do fígado deixam as do baço trabalhar e as células do pulmão nem sonham em fazer o trabalho das células do coração.

Agora, imagine os vizinhos chatos, aqueles que não têm consideração nenhuma por ninguém. Tomara que na sua rua não tenha nenhum deles, pois eles escutam música com volume altíssimo, pisam no seu gramado e estragam o seu jardim. Não se importam em manter uma convivência amigável. As células cancerígenas também são assim: não têm nenhuma responsabilidade social. Basicamente o que fazem é se multiplicar, se dividir e infernizar a vida das demais células do organismo. Espalham-se pelo corpo e acabam com a vizinhança e com todo o bairro.

Crescimento desordenado

Essa proliferação celular desordenada, de causa multifatorial, é o que conhecemos por câncer. De acordo com Rodrigo Rigo, chefe do setor de oncologia do Hospital Santa Cruz, a origem dessa ?desordem? pode ter seu ?start? ocasionado por alguma causa genética ou produzido por fatores ambientais, como infecções, hábitos de vida ou de alimentação não-saudáveis, tabagismo e exposição a certos tipos de radiação, entre outros. ?De alguma maneira, a célula cancerosa perde a capacidade de se auto-regular e migra para outras regiões do corpo?, comenta.

O câncer tem tudo a ver com mutações sutis nos genes das células que estão se reproduzindo. Algo cria nas células normais uma mutação genética que o sistema imunológico não conhece e contra o qual é incapaz de reagir. ?Essa anormalidade na proliferação das células acontece de forma desordenada no órgão específico que está doente?, explica o oncologista e hematologista Valdir Furtado, do Instituto de Hematologia e Oncologia de Curitiba. O médico reconhece que os problemas se multiplicam quando ocorre uma metástase, isto é, as células cancerosas saem do tumor principal e começam a afetar outros órgãos sadios (lembre do vizinho encrenqueiro). O médico diz que é importante salientar que o diagnóstico do tumor nem sempre é câncer. As células dos tumores benignos, por exemplo, não têm capacidade de disseminação para outras partes do organismo, ao contrário dos malignos. ?Tumores benignos raramente colocam em risco a vida da pessoa, e podem até ser removidos totalmente por meio de cirurgia?, esclarece.

Mobilização e informação

Hoje em dia, dá para se considerar que o diagnóstico de câncer não é uma sentença de morte. Muitos especialistas concordam que alguns, como o câncer de pâncreas, por exemplo, têm um índice de sobrevivência muito baixo, outros trazem possibilidades mais animadoras, dependendo da vigilância do próprio paciente com o tratamento da doença, do modo que encara o diagnóstico sombrio e luta contra ele. Em alguns casos (como o câncer de próstata e o de mama) é possível coexistir com a doença com pouco risco de morte. Valdir Furtado ressalta que alguns tratamentos se baseiam (de forma científica, é claro) em estudar casos de pacientes que lutaram, venceram e sobreviveram ao câncer. Assim, aliado às drogas mais potentes e eficazes, recriam os mecanismos que ajudaram a matar as células cancerígenas.

Rodrigo Rigo reconhece que o grande salto para o controle do câncer é o diagnóstico precoce, ?sabidamente uma forma de controlar a doença e, em alguns casos, até de acabar com ela?. Os estudos mostram que, no Brasil, geralmente os tumores são diagnosticados em estágio avançado, afetando o tratamento e diminuindo as chances de controle dos pacientes. De acordo com Luiz Geraldo Santini, diretor-geral do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o grande desafio para o controle do câncer no País está no campo da mobilização social. ?É preciso garantir a articulação de políticas de saúde com políticas de educação, rompendo preconceitos e quebrando o paradigma de que o câncer é sinônimo de morte?, completa o dirigente.

Fique longe do câncer

1 – Pare de fumar! Esta é uma das regras mais importantes para prevenir o câncer.

2 – Uma dieta alimentar saudável pode reduzir as chances de câncer em pelo menos 40%. Coma mais frutas, legumes, cereais e menos carnes e alimentos gordurosos. Sua dieta deveria conter diariamente pelo menos 25 gramas de fibras, e a quantidade de gordura não deveria ultrapassar 20% do total de calorias ingeridas.

3 – Procure limitar a ingestão de bebidas alcoólicas. Além disso, incorpore a prática de exercícios físicos à sua rotina diária. Faça exercícios moderados por pelo menos 30 minutos, 5 vezes por semana.

4 – A mulher deve fazer um auto-exame das mamas todo mês. Com 35 anos de idade, ela deverá se submeter a uma mamografia de base.

Com 40 anos, uma ou duas mamografias de segmento e, a partir dos 50 anos, uma mamografia anual.

5 – A mulher a partir dos 20 anos deverá submeter-se anualmente a um exame preventivo do colo do útero (papanicolau).

6 – O homem deverá fazer um auto-exame dos testículos todo mês.

7 – Homens e mulheres com mais de 50 anos devem solicitar ao médico um exame anual de sangue oculto nas fezes.

8 – Os homens com mais de 50 anos devem procurar o médico regularmente para o exame de toque retal para prevenir o câncer de próstata.

9 – Evite a exposição prolongada ao sol e use filtro protetor solar fator 15 ou superior.

Faça regularmente um auto-exame da boca e da pele.

Fonte: Inca – Instituto Nacional do Câncer.

Os mais freqüentes

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Pele
– É o de maior incidência no País, chegando a 25% dos tumores diagnosticados. A radiação solar é o seu maior agente causador. O uso de filtro solar, chapéu, roupas e óculos é a melhor forma de prevenção. Fique atento a feridas ou alterações no tamanho, cor ou aspecto de pintas e sinais.

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Aparelho respiratório
– É o que mais mata no Brasil.

O cigarro é responsável por cerca de 90% dos casos. O câncer de pulmão demora, em média, 15 anos para surgir, após alterações da mucosa brônquica (pré-cancerosas), que podem regredir quando o paciente deixa de fumar.

O diagnóstico precoce permite cirurgia e tratamento.

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Mama
– É a forma mais comum entre as mulheres (nos homens, representa apenas 1% dos casos). Em 2006 quase 50 mil novos casos foram registrados. A detecção precoce permite tratamento com boas chances de cura.
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Leucemias – São cânceres das células do sangue. O tratamento depende do tipo e gravidade da doença e, para detectá-la, é preciso procurar o médico ao apresentar sangramentos, infecções e anemia.

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Ginecológico
– O câncer do aparelho genital feminino, especialmente do colo de útero, é o que mais mata no mundo. Em geral, incide em mulheres infectadas pelo papiloma vírus humano (HPV), que é adquirido em relações sexuais e pode ser detectado no exame ginecológico.

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Urológico
– Cânceres de próstata, de bexiga e do rim correspondem a mais da metade das ocorrências em homens. Se diagnosticados em fase inicial, é possível desenvolver tratamento com cura em cerca de 90% dos casos.

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Câncer na infância – Leucemia, tumores do sistema nervoso central e linfomas são os tipos mais comuns em crianças. Na infância, o câncer não está associado a fatores ambientais, sendo essencial o diagnóstico precoce. Ao sinal de qualquer anormalidade, os pais devem levar seus filhos ao pediatra.

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