Os neurônios são um dos maiores enigmas da ciência. Embora a medicina e a tecnologia tenham progredido imensamente, ainda é meio abstrato o modo como as células cerebrais podem executar funções como armazenar conceitos, memórias e executar raciocínios. Sempre se pensou que o “arquivamento” das informações precisasse ser suportado não por um único neurônio, mas por uma rede. No caso, essa rede analisada está no córtex pré-frontal, área do cérebro responsável pela tomada de decisões e planejamento.

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Uma pesquisa do Instituto Tecnológico de Massachussets (EUA), iniciada em 2009, está desconstruindo essa visão. Eles conseguiram isolar algumas funções de armazenamento de informação em um único neurônio. Eles usaram o cérebro de macacos para o teste. O experimento funcionou da seguinte forma: fizeram uma varredura no cérebro dos primatas, capaz de analisar a atividade em cada neurônio isoladamente. Um único neurônio do macaco era capaz de distinguir figuras de carros das figuras de gatos ou cães. O índice médio de acerto na identificação das fotos foi de 80%, e a atividade cerebral ficou restrita ao córtex pré-frontal; cada neurônio trabalhou sozinho.

O estudo sugere que os neurônios do córtex pré-frontal possuem uma capacidade chamada pelos cientistas de “multi-tarefa”. Com ela, as cadeias de neurônios podem ser reprogramadas quantas vezes forem necessárias. É isso que nos dá a capacidade de armazenar uma grande quantidade de informações: podemos estar profundamente concentrados em algo, deixamos isso totalmente de lado para nos focar em outra coisa, e quando voltamos ao assunto original o conteúdo ainda está lá.

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